Quem me dera sujar os dedos
Os jornais são uma presença constante na minha vida desde a infância. Na adolescência eram mesmo uma presença permanente e um dos principais sorvedouros da minha mesada. Nessa altura, eu era fanático por ciclismo e por futebol e consumia, avidamente, a imprensa desportiva. Lembro-me do tempo em que os jornais ainda eram a preto e branco, com a excepção das capas, que admitiam os vermelhos nos cabeçalhos e em alguns títulos. Mas o mais marcante era o facto de os periódicos desportivos não serem diários, mas trissemanários e, mais tarde, quadrissemanários. Às segundas, quintas e sábados era dia de comprar A Bola. Às terças, sextas e domingos comprava o Record. Segundas, quartas e sextas era quando se publicava a Gazeta dos Desportos.
Recordei-me disto, hoje de tarde, enquanto lia a revista Dez, que é publicada ao sábado como suplemento do Record. E lembrei-me disto porquê? Porque as peças que li tinham sumo, coisa pouco comum na imprensa desportiva diária dos tempos que correm. Desde que passaram a diários, salvo raríssimas excepções, as edições dos jornais desportivos não passam de uma espécie de compilação de press releases dos clubes. Falta análise, entrtevistas de fundo, reportagens. Coisas a que me habituei no tempo da imprensa desportiva trissemanária e que reencontrei na Dez.
Só é pena que o reencontro se tenha dado numa revista. Teria outro sabor que houvesse ocorrido em papel de jornal. Como seria diferente voltar a ler desporto com profundidade num suporte que me trouxesse também o inigualável cheiro a tinta em papel de jornal e que me deixasse marcas também físicas, através dos dedos sujos...

Concordo contigo, José, porque acho incrível que se consiga arranjar conteúdo para se falar de desporto (mais concretamente 90% de futebol) durante TODOS os dias....
Por outro lado, se os jornais saíssem em dias diferentes, isso deixa-los-ia numa situação desconfortável que seria os dias de maior tiragem, ou seja, os dias após jogos grandes!